sexta-feira, 27 de junho de 2014

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade



                                                        AQUELA GAROTA

Ela é aquela garota movida à imaginação, que mesmo com choques de realidade que a vida dá, prefere continuar a viver a sua maneira. Em seu mundo particular. De sair pintando de tons alegres qualquer vestígio de cinza do seu dia. E que transborda de alegria quando essas cores respigam na vida de outras pessoas.
Ela é aquela garota que já amou e se sentiu amada. Que já deu seu coração, seu corpo e seus sonhos. 
Que sonhou, pensou que fosse pra sempre, e eu dia acabou.
Que ouviu “Eu te amo” e dias depois “Eu te traí”. 
Que ouviu “Não posso mais viver sem você” e da mesma pessoa ouviu “Não consigo esquecer minha ex.” 
Que sofreu e disse “não quero amar nunca mais”, mas que depois de alguns banhos demorados com a água se misturando com lágrimas, e noites mal dormidas se permitiu tudo novamente.
Ela é uma garota que já magoou alguém que muito amou. E talvez por castigo, só percebeu isso depois de ter perdido.
Ela é aquela garota que não mais se arrepende de coisas que fez ou que deixou de fazer, pois acredita que todos os acontecimentos a moldaram para se tornar a pessoa que é.
Que admira estrelas, anda descalça, vicia em uma música e canta alto o dia todo. 
Que gosta de andar de mãos dadas, de sentir frio na barriga, de criar laços com olhares. 
Que vê a beleza nos detalhes de pequenos gestos.
Que gosta de bom dia, boa noite e até amanhã.
Ela é aquela garota que as amigas diziam: “Vai sair, curtir tua vida”. Mas o que essas amigas não entendiam era que ela curtia a vida dela de uma forma diferente. Que gostava de sua solidão.
Ela é aquela garota que não quer ganhar no jogo. Mas que muitas vezes perde no amor. E mesmo com isso, ainda acredita que ele (o amor) é o sentido da vida e que tudo gira em torno disso.
Ela é aquela garota que aprendeu que existem amores e amores.
Amores que nos fazem voar e depois cair de um precipício, sem ninguém lá embaixo pra te segurar, e outros que te ensinam a voar e confiar em suas próprias asas.